segunda-feira, 5 de abril de 2010
Operadores goodmanianos in my life
Já que eu não sou filósofa mesmo, eu posso falar do Goodman como bem entender (acho). Pois bem, o Goodman meio que foi um dos filósofos mais importantes do século passado (só me disseram, não sei exatamente porquê) e isso está ligado basicamente a filosofia da linguagem. A idéia principal é não existem um mundo, mas só representações de mundo. E do que são feitos os mundos? De outros mundos. Mas como é que vai se diferenciando um mundo do outro? Atráves dos operadores identificados por ele que são cinco: composição ou decomposição, relevância, ordenamento, supressão e deformação. O que achei mais fácil pra entender como isso funciona na prática foi com o artigo do professor Renato Lessa sobre a Constituição de 88. Já notaram como na CF os direitos fundamentais aparecem primeiro do que todas as outras coisas? Não aparece no meio, nem no fim. É em primeiro e há uma razão para isso. A partir daí, todo o resto da CF esteve subordinado ou se ligando aos direitos fundamentais. No caso da CF, o operador goodmaniano do ordenamento foi o mais utilizado, deu o tom da CF, e o tom do mundo, o modo como o mundo (ou o Brasil) deve ser. Beautiful, isnt it? - Beijo me lyga Lessa, adorei as aulas -. Agora, voltando a minha vida, ou a vida de cada um, todo mundo organiza sua vida assim, com os operadores goodmanianos, passar a crer e a viver no mundo que cria com os tais operadores. Por exemplo, eu tinha uma frase que era: primeiro, eu como, durmo, faço pilates, posto no blog e aí vou aos compromissos (ordenamento). A supressão é fácil é como quando você deleta uma paixão antiga para dar lugar a uma nova, joga roupa fora para abrir espaço no guarda-roupa. A composição acho que é quando você adiciona uma coisa nova a sua vida, por exemplo, nos últimos tempos, foi o meu interesse por make up. Deformação talvez seja o sincretismo religioso que vivemos, coisa e tal. Mas, o que interessa afinal pra mim é alguns mundos são melhores que outros? Na minha opinião são sim, porque por mais que se sofra sempre de algum modo, é melhor viver numa família estável, com apoio e carinho do que não, né? Como a história da democracia: tem falhas? Tem, mas vai ser mulher então no Irã! Então, voltando, alguns mundos são melhores. Ponto. Como sair dos piores para os melhores? Por exemplo, se eu durmisse menos, se comesse menos, se todo mundo não assistisse ao BBB, a vida estaria melhor? Sim. Acho isso tudo tão holístico. Enfim, passando a luta-de-classes agora, pode-se melhorar a vida das pessoas sem precisar passar por uma transformação econômica na vida das pessoas? Sim, mas no limite, não porque todo mundo ainda precisa comer e comer bem, e tudo o mais também custa dinheiro. Mas, também desconfio que não é só isso, porque em certas ocasiões, é mais importante suprimir um comportamento como o desperdício, acrescentar um outro como higiene, colocar na ordem: dinheiro para educação dos filhos, casa, alimentação, só em último gastar com cerveja... Anyway, essa era a minha visão do Goodman.....Eu não sei porquê mas quando digo essas coisas, por mais que acredite nelas, me sinto compactuando com a explicação capitalista do mundo, tipo: seja otimista e o seu sistema imunológico vai aumentar (vai por mim, só com Centrum), ai, parece tão babaquice, cadê um estuturalista, agora, quando se precisa de um?
domingo, 4 de abril de 2010
Empoderamento feminino

Ó que frase bonita: "Graças ao grupo feminino, ela consegue não se preocupar com os rapazes, ter um comportamento não-conformista e provocativo, e lutar por uma carreira artística". (Bettina Fritzsche) Desculpa se não faço a citação como se deve, mas aqui está o link para ler o artigo da onde tirei a frase. Enfim, o artigo é para saber se o grupo Spice Girls pode ser encarado mesmo como algo que empodera as mulheres. As mulheres ficam mais auto-confiantes mesmo? Vão mais longe? Agora, só consigo lembrar da Victoria Beckham no pôster que tinha em casa quando ela nem era Beckham e ela era tipo uns 10 quilos a mais, só que isso não significava que era gorda. Lembro também da música: if you wanna be my lover, you gotta get my friends, ai, como a gente não vê a hora de mostrar o bofe para as amigas, né? Mas, isso é de verdade o melhor a fazer ou pura vaidade? Achei o artigo depois de ler um outro sobre a Heloneida Studart também na Revista Estudos Feministas. Alguém imagina algum grupo pop com garotas com esse corpo atualmente? A diferença é sutil, mas notem que não há os músculos definidos do pilates, da drenagem linfática e da medicina ortomolecular.....
quinta-feira, 4 de março de 2010
Take Off! (Decole!)

Pra que a história serve? Qual a real aplicabilidade da história para se desenvolver a sociedade? Não repetir os erros do passado? Dãaaa....mentirinha. Acho que a primeira vez que seriamente começaram a se utilizar da história na nossa sociedade foi com o caso da Revolução Industrial. Depois que a Europa e os Estados Unidos se industrializaram, ainda sobrou a América Latina, a Ásia e África lá plantando e colhendo....E então, os governantes do mundo inteiro pensaram: Vamos ajudar! Vamos fazê-los desenvolvidos! Vê-los crescerem! Então, começaram os estudos sobre o que faz um país se industrializar. Foram estudar a Revolução Industrial na Inglaterra e descobriram o que teve que acontecer primeiro. Descobriu-se que para que o país desse o seu take off (decole), eram necessários três coisas: que o que se produzisse no campo alimentasse as pessoas do campo e as da cidade, daí quem ficasse na cidade iria trabalhar na indústria; que o país conhecesse uma inovação tecnológica, como é que vai virar indústria, se não tem máquina, né? e finalmente, que tivesse muita gente vivendo nesse país. Não podia ter só duas dessas três. Eram as três ou não tinha take off. Senão continuaria a ser uma sociedade agrícola. Pois bem, recentemente, mas já no campo das relações internacionais, eu vi algo (não li ainda) sobre um livro que argumentava que onde os direitos das mulheres eram maiores, não surgiam grupos terroristas. Em resumo, a idéia era desenvolvam os direitos das mulheres porque é uma questão de segurança em escala global. Onde eles existem, não existem terroristas.
Daí, pensei em algo do tipo para ser usado pela nossa segurança pública para pôr fim aos marginais que tem por aí. Aposto que daria certo, porque antes de serem qualquer coisa, foram crianças e fosse a mãe, avó ou tia, sempre houve uma mulher por perto que poderia ter dado o exemplo de educação e não estou falando que ela com certeza não deu, mas, eu não sei, acho que falta uma boa dose de auto-estima em algumas mulheres e isso gera revolta por parte das crianças que convivem com elas. Com a auto-estima elevada, creio que é impossível machucar a si e também ao outro. Então, bóra valorizar a auto-estima da mulher. Minhas 5 dicas de hoje são:
1) Tenha em mente, você NÃO é uma 'mulher objeto de cama e mesa' (pense nisso, com um risco, como no título do blog)
2) Portar-me-ei com inteligência no caminho reto. Fazer as coisas certas ajuda a sentir orgulho de si mesma e a recompensa virá em breve e será grande, mesmo que aparentemente, você não perceba logo.
3) Pare de se comparar. Principalmente, com outras mulheres. Vocês não tem que competir tanto. Está aonde por acaso? Num ringue de lama?
4) Ou lápis de olho, ou batom, ou blush, ou os três, mas never saia de casa sem nada. Se rolar um tempinho, unha bonita é tudo de bom.
5) Foco. Faça seu próprio mundo acontecer. Quem são e quais são as coisas para as quais você liga? Foco nelas. Senta. Pensa. Tudo começa assim.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Eu fui uma historiadora?
Sempre lembro do filme Memórias de uma Gueixa, quando ela fala assim: Eu fui uma gueixa? Ela estava tão arrasada, mal tratada, trabalhando na lavoura, depois que a Segunda Guerra Mundial começou que ela havia esquecido como era ser uma gueixa. Acho que todo mundo perde um pouco de si no decorrer do tempo e passa a ser outro (hã? nevermind...) Então, fiquei reparando na quantidade de textos que eu tirei xerox durante a graduação em História (foto aí encima - isso aí uma bola de pilates) e nossa eu fui uma historiadora? Quanta coisa eu li.. e cadê o Walter Benjamin ou o Foucault na minha vida agora? Le Goff, Finley, tantos... Tudo bem que eu não to trabalhando numa lavoura, mas às vezes sinto que deixei pra lá aquele encantamento dos anos iniciais, principalmente, o que não tinha a ver com história contemporânea eu esqueci. Tantas coisas legais que eu li. Vou falar de um texto que adorei chamado "Profissões lícitas e ilícitas segundo os manuais de confessores da Idade Média". Entendeu de cara? É assim... o alto clero preparava manuais para os padres das paróquias indicando como eles deveriam distribuir as penitências para as pessoas de acordo com as profissões delas quando essas fossem se confessar. Emprestar dinheiro a juros nem pensar, um absurdo, aliás, trabalhar já era muito ruim na visão da Igreja, mas havia menos piores e o fim do fim que era..... SUSPENSE.... lavar louça. Esse texto merece uma relida e assim que preparar um resumo eu faço um upload.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Mr. Goodman speaking

Às vezes, determinadas leituras parecem muito confusas.... Você lê, lê de novo, fica cansada, não entendeu muito bem até que se depara com algo....e uau... você continua sem entender o argumento principal, mas se deixa levar por aquela frase de efeito e começa a delirar....
" 'A verdade, a verdade completa, e nada além da verdade' seria assim uma perversa e paralizante política para qualquer world-maker."
&
"A broad mind is no substitute for hard work".
Que que dá pra entender? Gente ortodoxa vai mais longe na vida. Dá onde eu tirei isso? Nem eu mais sei ao certo.... Por que? Porque eu sou uma broad mind...e isso não te deixa ter muito foco... Acaba que não faz nada... Muda de namorado, de estilo, emprego, religião e o seu world-made não dura, não acontece.... A crença é o que sustenta a verdade daquilo que vc faz, se vc deixa de crer que o que faz é verdadeiro, vc não faz mais, faz mal-feito....Affff... fica super tolerante.... porém cheio de buracos....enquanto os ortodoxos fazem as coisas aconter (O mundo é de quem faz, tá? IG)... Os ortodoxos não estão em busca da verdade completa, basta a deles e pronto, trabalham em cima disso, porque, no final, é só o que há mesmo, não existe um mundo abaixo das camadas com que as pessoas vêem as coisas... é só as camadas mesmo....PS: Eu nem sei se poderia falar em ortodoxia e heterodoxia assim displecente ...mas deixa estar
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
'Cause I make the world I want!

Pois bem, eu tenho que decifrar o que Goodman quis dizer com worldmaking e Wittgenstein com "O limite do mundo é o limite da linguagem" senão não termino meu trabalho para a matéria de Filosofia de Linguagem..... Eu tenho até medo de falar o que acho e o professor perguntar se eu bebi.....rs ok, vamos por partes, modos de fabricar mundos do Goodman é, em resumo, uma obra que explica que só há representações de mundo... e não "O Mundo", nada fora do normal para quem entrou já na graduação com uma década de crise na ciência histórica, li Todorov, tudo que existe é alteridade, relativismo... Outra coisa é que são as palavras que constroem o mundo... "não existe mundo sem palavras", obvious (?) Tá certo eu ainda não li o Goodman diretamente, mas estou caminhando para isso, mas eu gosto de passar pelas obras mais facinhas primeiro... Isso não é burrice, nem preguiça, é uma mistura de organização com pavor de ficar repetindo tudo sem ser capaz de ensinar de um jeitinho mais fácil a quem não tá pegando. Ou ainda, relacionar isso com outras coisas..... p.ex. Voltando ao Wittgenstein.... "O limite do mundo é o limite da linguagem", tem um elo aí com o Goodman, perceberam ?, mais ou menos assim: viu, viu com palavras, e o que vc viu é o seu mundo. Eu fiquei pensando nessas teorias de riqueza que tem nos livros do Içami Tiba, Lair Ribeiro, "O Segredo"... ...Bom, lá, a teoria é sempre a seguinte.... você escolhe o que você quer, mas antes, você tem que ver, tem que fazer as coisas serem do seu mundo. P. ex.. se vc quer um carro, vai na concess(?)ionária (eh, loja), vê quanto custa, tira sua carteira, começa a achar que aquilo é pra vc, que vc é merecedor.....Nesses livros, eles concordam que o meio tem um peso mas vc é livre e pode escolher outras coisas pra sua vida daqui em diante. Nesses livros, tem sempre uma dica que é: amplie o seu mundo, não coloque barreiras, passe a acreditar que a vida trará pra você, tem até uma frase que adoro: "O mapa não é o território" (diz aí, puro Wittgenstein ou puro delírio?) Captaram? O que vc enxerga do mundo não é o mundo todo. Os autores usam da comparação para explicar: existem pessoas que são bem sucedidas, tem uma família bem estruturada, se sentem realizadas..... e vc quer ser igual a elas? Pense igual a elas, veja o que elas vêem, agradeça toda a sorte que te cerca, abra os olhos para as oportunidades... Mas, creio, ainda tenho que terminar o Wittgenstein, ou o professor, juro vai achar que bebi....E falando no prof, ele publicou um artigo sobre a Constituição de 1988 que mostra o quanto ela está imbuída de valores morais e o preâmbulo e os dois primeiros títulos é que teriam garantido isso ao longo de toda a Carta Magna. O Goodman fala em operadores que constroem os mundos, ordenamento, composição, eliminação e outros e o prof. disse que o ordenamento é que prevaleceu na CF/88. É só procurar por Renato Lessa, A Constituição de 1988 como filosofia pública.
Saí da licença

Back!
Lendo sobre pedagogia, antes que eu me esqueça, antes que eu desista de compartilhar:
Atenção ou corremos o risco de ficar repetindo vulgaridades sobre a juventude por aí, lá vai:
"Diz-se muito mal e muito bem da nossa juventude. Todavia, estas definições não são corretas porque exprimem acerca da juventude uma apreciação estática; a juventude tornar-se-á melhor ou pior consoante o modo como seremos capazes de organizar as suas atividades concretas no meio em que vive, conforme a ajuda que lhe facultamos para que se torne apta a realizar as tarefas futuras e conforme o que soubermos fazer para facilitar o desenvolvimento interior dos jovens."
Todo o texto é muito bom e explica como as viradas no pensamento ocidental influenciaram o ensino. Chama-se A pedagogia e as grandes correntes filosóficas, de Bogdan Suchodolski. Disponível pra download no 4shared.com
Assinar:
Postagens (Atom)